“É uma honra dar fim a contendas,
mas todos os insensatos envolvem-se nelas.” Pv 20:3 NVI
Precisamos estabelecer inicialmente
a correta utilização da expressão discussão, utilizada neste contexto. É claro
que, não me refiro àquelas adoráveis conversas para definir onde serão
empreendidas as próximas férias da família. Também não me refiro, as reuniões
de negócios, que tratam os detalhes de um novo contrato, por exemplo.
Mas, àquelas do tipo bate-boca,
cheias de ira, impaciência e exaltação. Aquelas que, mesmo quando cheias de
boas intenções, terminam em sofrimento.
Nada tem o poder de desgastar
lenta e tão profundamente um relacionamento como a discussão constante. Os
poetas e músicos seculares, às vezes, tentam mostrar que brigar é até bom,
levando em consideração a alegre emoção da reconciliação.
Uma bobagem como esta só pode ser
considerada por quem nunca
foi brutalmente afetado ou ferido pela dor e sofrimento da discussão
sem solução, das palavras, que machucam profundamente. As pessoas saem delas
muitas vezes sem ânimo para buscar uma reconciliação.
Em verdade, muitos preferem a
distância a ser exposto novamente à crueldade de palavras duras e ofensivas.
Como cristãos, sabemos que isso
não está certo. Contudo, a maioria de nós nem se dá conta de que peca ao entrar
numa discussão.
Discutir é pecado!
Na Bíblia, pecado é tudo aquilo
que é feito ou pensado contra a vontade de Deus. A palavra grega para pecado (hamartia) traduz exatamente a idéia de
errar o alvo.
Deus não planejou a discussão como mecanismo de crescimento,
amadurecimento e ajustes para os relacionamentos. Pelo contrário, em Romanos
12:18, Deus diz:
“Façam todo o possível para viver em paz com
todos”
Para que possamos compreender
melhor, no livro de Provérbios, Deus fornece quatro princípios muito claros a
respeito das discussões.
1 - A discussão caminha junto com o orgulho!
“Quem ama a discussão ama ao pecado, quem constrói portas altas [se
orgulha] está procurando a sua ruína” (Pv 17:19).
Como já vimos, discussão é
pecado. A primeira parte do provérbio acima explicita isto. Talvez, esta seja a
primeira e mais importante consideração a fazer dentre todas que virão ainda no
decorrer do tema.
No texto acima, a idéia de
construir portas altas está associada ao uso de palavras arrogantes,
supervalorizando a opinião de si mesmo.
Quando alguém se dispõe a
discutir está também se dispondo a provar e lutar por suas certezas.
É comum ao ser humano achar que
está certo por causa de sua dificuldade de olhar as coisas pela ótica, ou
necessidade, dos outros.
Se pudéssemos adotar um conselheiro fiel para ajudar a medir as
causas de uma discussão verificaríamos que, na maioria dos casos, sempre uma
das partes está claramente – mais – errada que a outra, mas não consegue admitir.
Por que agimos assim?
Arriscaria responder à essa pergunta
com a seguinte resposta: pessoas são
diferentes.
E, são assim porque têm motivações diferentes,
necessidades e valores diferentes e, finalmente, porque têm personalidades
diferentes. Parece-nos óbvio. Mas, isso explica tudo?
Do alto de sua inigualável
autoridade apostólica, Paulo admitiu sua própria dificuldade em fazer o que é
certo, mesmo sabendo seu dever de fazê-lo (Rom. 7: 15 a 19).
Conhecendo o alvo de Deus, queria
acertá-lo, mas simplesmente não conseguia. O Apóstolo apontou como único
responsável opecado que habitava em
sua carne.
Será que ele estava fugindo da
própria culpa? Acredito que não. Antes, ele a assumiu quando declarou: “miserável homem que sou”
Além da personalidade e
influências externas recebidas desde a mais tenra infância, todos temos grande
inclinação para agradar a nós mesmos. Por isso, o próprio Senhor Jesus disse,
ao reafirmar o Grande Mandamento (Mt. 22:39):
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo”
Às vezes, esta mesma inclinação
pode nos levar a “atropelar” pessoas e valores unânimes sem nos dar conta
disso.
Sim, há solução para a discussão,
a arrogância e a altivez – como veremos ao longo desta nossa caminhada.
Contudo, para o momento, é preciso estabelecer firmemente a consciência de quediscutir é pecado.
Uma vez compreendida a real causa
das contendas, o caminho à frente ficará mais fácil. O apóstolo Paulo aceitou a
realidade da sua obstinação e chamou-apecado.
Entendeu que algumas atitudes suas estavam fora do alvo de Deus para sua vida.
Ao compreender, temeu (Rom. 7:
24):
“Desaventurado
homem que sou!
Quem me
livrará deste corpo que me leva para a morte?
Mas, ao apelar ao Único que poderia
socorrê-lo, exclamou com gratidão (Rom. 7: 25):
“Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso
Senhor!”
2 – A dicussão fecha as portas do coração!
“Um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada, e as
discussões são como as portas trancadas de uma cidadela.” (Pv 18:19).
No passado, as cidades precisavam
se proteger fortemente dos ataques inimigos. Portões altos e reforçados,
muralhas, armas, bolas de fogo, lanças, poços profundos cheios de crocodilos,
etc., eram usadas para sua defesa. Da mesma maneira, alegoricamente falando,
como fruto das discussões sem solução, as pessoas se fortificam, ou melhor, se
protegem não querendo mais dar acesso às outras.
Quando o ser humano se vê ferido
logo se fecha, se protege. A Bíblia o compara com uma cidade fortificada.
A ofensa é algo que atinge a
honra, a dignidade, que lesa um sentimento respeitável ou legítimo. A ofensa
atinge a alma.
Ao desconsiderar uma pessoa desta
maneira, se menospreza quem ela é e sua capacidade de fazer algo de bom.
São justamente as discussões que
propiciam tamanha batalha fortificada. O mais trágico é que essa guerra, muitas
vezes, é travada entre pessoas que se amam.
“as discussões são como portas trancadas de
uma cidadela”
Quem pode abrir as portas de um
coração trancadas com grossos e pesados ferrolhos de amargura e ressentimento?
Por esta razão é que muitos casais, parentes, amigos e companheiros de trabalho
já não se falam mais.
3 – As discussões não podem ser controladas!
“Começar uma discussão é como abrir uma
brecha numa represa; por isso
resolva a questão antes que surja a contenda.” (Pv 17:14).
Por estas razões é melhor pensar
hoje, agora: na próxima vez que tiver uma divergência, eu quero discutir? Até
que ponto quero provar que estou certo? Uma vez iniciada, será possível parar
sem que haja feridos?
Na
prática, o que o verso diz é, resolva a questão antes que a represa estoure!
Mas, entenda quea solução é não iniciar
uma discussão.
O jovem Daniel dá uma aula de
disciplina e planejamento para não errar o alvo de Deus (ou, pecar -hamartia). Antes mesmo de ser levado
como prisioneiro para uma terra estranha, decidiu não se contaminar com os
banquetes consagrados do rei (Dn 1:8):
“Daniel, contudo, decidiu não se tornar
impuro coma comida e com o vinho do rei”
Ninguém deveria deixar para tomar
uma decisão em cima da hora. Se eu
decido não me contaminar com as imagens pornográficas facilmente vistas em uma
banca de jornal no meu caminho, eu traço outro trajeto, ando por outra rua.
Sabendo que um programa de televisão é inapropriado para mim ou para pessoas
que estão sob meus cuidados, evito zapeá-lo.
Da mesma maneira, precisamos
decidir hoje que não vamos sequer dar início a uma discussão. Não vale a pena!
Diz o provérbio (14b):
“resolva a questão antes que surja a
contenda”
Além de não ser sábio, também é
pecado! Se erro (hamartia, ou, se
peco) consciente e deliberadamente o alvo de Deus, como contar com Seu socorro
quando as coisas forem de mau a pior?
4 – As discussões não levam à vitória!
“Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar seu espírito do que conquistar
uma cidade.” (Pv 16:32).
Se o assunto é discussão, a
paciência é a mola mestra da paz. Somente a paciência pode fazer com que a
discussão não inicie mesmo nos momentos mais críticos.
Ser
paciente significa, literalmente, não
perder o ânimo.
Alguns maridos ficam irritados e
discutem com a esposa e filhos por causa de atrasos a ponto de decidir não sair
mais. Mas, paciência significa exatamente não permitir o ânimo se desfaça por
causa dos aborrecimentos.
Uma
discussão prolongada significa que ambas as partes estão erradas.
Assim, diz Deus, o homem paciente
consegue melhores resultados que um forte guerreiro. Imagino um enorme
centurião, com sua armadura imponente, espada e lança brilhantes, deixando de
receber os louros, conquistados por um esguio pai de família exercitado pela paciência.
Se eu não sou capaz de vencer a
mim mesmo, meus próprios impulsos e meu próprio espírito, como serei capaz de
conquistar minha casa, minha família?
REVISANDO:
v Discussão é pecado porque erra o alvo divino
de vivermos em paz com os outros.
v Quem se fecha em suas altas considerações de
si mesmo é arrogante. A solidão provavelmente será sua melhor amiga.
v A ofensa está presente nas discussões. Com
medo de ser ferido de novo, o ofendido tranca a porta ao entendimento.
v Faça uma decisão consciente, não inicie uma discussão, você não terá controle sobre ela!
v Espiritualmente falando, uma pessoa paciente
é maior que um grande guerreiro.

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